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Momento Econômico | Ano 1 - Edição 06

por Nicola Tingas

 

Em cenário de maior incerteza, mercado precifica riscos e volatilidade

No dia 7 de outubro ocorrerá o 1º turno da eleição nacional. O atual cenário econômico e social do país consiste em um grande desafio para o próximo presidente da República. As demandas econômicas, sociais, políticas, éticas e institucionais são enormes. Exigem do eleito um mandato firme e coerente voltado para a proposição e ação qualitativa e imediata, em frentes prioritárias com objetivo de resgatar a economia e colocar a sociedade em uma direção mais promissora para o futuro do País.

O desafiador mandato presidencial de 2019 a 2022 exigirá muita capacidade e habilidade do presidente eleito. O apoio popular será necessário ao menos no início de mandato. O candidato eleito deverá ser capaz de negociar e liderar uma agenda com várias reformas estruturais e proposições no Congresso Nacional. Terá que montar uma equipe capaz de desenvolver e implementar uma "agenda econômica" que promova a empregabilidade e a renda no curto prazo, além de indicar e desenvolver os temas estruturais da economia na velocidade do desafio global e da demanda da sociedade brasileira.

Enquanto decide em quem vai depositar sua esperança e confiança, o eleitor brasileiro move-se com cautela. O índice de confiança do consumidor da FGV cedeu para 82,1 pontos em setembro contra 83,8 pontos no mês anterior, enquanto que o ímpeto de consumo das famílias declinou pelo segundo mês, confirmando a cautela dos consumidores. A Confederação Nacional do Comércio (CNC) prevê que "o Natal desse ano deverá registrar queda, tanto nas vendas quanto na abertura de vagas temporárias. Estima a contratação de 72,7 mil trabalhadores temporários, recuo de 1,7% em relação aos 73,9 mil postos em 2017. A desaceleração da economia diante do cenário de incertezas deverá levar as vendas do varejo a crescerem menos no Natal de 2018 (+2,3%) do que no de 2017 (+3,9%), resultando em uma movimentação de R$ 34,4 bilhões".

O Banco Central também indicou cautela com o cenário internacional e com a conjuntura interna, segundo a Ata do COPOM de 25/09/2018.

8. O cenário básico do COPOM para a inflação envolve fatores de risco em ambas as direções.

9. Por um lado, (i) o nível de ociosidade elevado pode produzir trajetória prospectiva abaixo do esperado.

10. Por outro lado, (ii) uma frustração das expectativas sobre a continuidade das reformas e ajustes necessários na economia brasileira pode afetar prêmios de risco e elevar a trajetória da inflação no horizonte relevante para a política monetária. Esse risco se intensifica no caso de (iii) deterioração do cenário externo para economias emergentes. O Comitê julga que esses últimos riscos se elevaram.

31. O COPOM reitera que a conjuntura econômica ainda prescreve política monetária estimulativa, ou seja, com taxas de juros abaixo da taxa estrutural. Esse estímulo começará a ser removido gradualmente caso o cenário prospectivo para a inflação no horizonte relevante para a política monetária e/ou seu balanço de riscos piorem.


Em síntese, o COPOM sinaliza que, se necessário, poderá iniciar uma gradual alta de juros para evitar que os riscos externos maiores e o acirramento dos riscos internos fiscais (e eleitorais) pressionem a inflação de 2019.

Nesse contexto, alteramos nossas estimativas de oscilação máxima e mínima para as variáveis financeiras chave. Considerados os riscos do cenário externo (China X USA, petróleo em forte alta, riscos nos emergentes) e o cenário eleitoral de disputa polarizada, a taxa de câmbio poderá alcançar R$/USD 4,0 ou mais no fim de 2018, oscilando entre R$/USD 3,90 a 4,70. Entre agosto e dezembro, o patamar da taxa de câmbio poderá influenciar a inflação e a taxa de juros, conforme avaliação COPOM. Vide tabela.

 

 

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Fonte: Omni Soluções Financeiras

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