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Ministério da Economia e Banco Central indicam busca de

Ano 2 - Edição 20

por Nicola Tingas, Consultor Econômico

 

Ministério da Economia e Banco Central indicam busca de "Economia de Oferta"

A estratégia monetária poderá privilegiar redução cautelosa da taxa de juros.

O Ministério da Economia (ME) tem evidenciado um diagnóstico "liberal conservador" acerca da crise econômica brasileira. Em essência: superdimensionamento do Estado, crise fiscal aguda, baixa taxa de poupança e de investimento, perda de competitividade e produtividade, excesso de burocracia, alta e inadequada carga tributária, estrangulamento do setor privado, concentração de renda, alto desemprego, sucateamento dos serviços públicos básicos, etc. Para o ME a economia política lastreada no aumento da demanda está esgotada, devendo ser seguida por um modelo de "economia de oferta", que corrige as fragilidades e obstáculos identificados como raiz da atual crise brasileira, que tem componentes conjunturais e estruturais.

O Banco Central (BC) tem indicado um diagnóstico semelhante com relação aos problemas da economia brasileira. Nesse sentido, tem apontado que a política monetária e creditícia não deve ser exclusivamente baseada, por exemplo, em estímulos monetários (como rápida redução de juros para incentivar o PIB). Em uma visão ampla e estrutural, o BC tem indicado estar trabalhando por uma agenda mais estrutural e inclusiva, na qual estão presentes aspectos como: liquidez, crédito, inclusão, competição, convergência inflação e taxa de juros. Exemplos e links:


1. Agenda BC #
 

Em divulgação oficial, o BC fala sobre sua agenda atual:
 

“Todos queremos juros baixos duradouros, serviços financeiros melhores e a participação de todos no mercado. É o que o BC chama de democratização financeira. Para isso, o BC mantém a Agenda BC#, uma pauta de trabalho centrada na evolução tecnológica para desenvolver questões estruturais do sistema financeiro. A Agenda BC# reformula o projeto iniciado em 2016 pela Agenda BC+, acrescentando novas dimensões e fortalecendo as dimensões anteriores. Além de buscar a queda no custo do crédito, a modernização da lei e a eficiência no sistema, o BC mira a inclusão, a competitividade e a transparência. O projeto de educação financeira, que o BC discute há pelo menos dez anos em fóruns temáticos, está mantido e repaginado.”

 

A reformulação da agenda foca em quatro aspectos:

INCLUSÃO - Facilidade de acesso ao mercado para todos: pequenos e grandes, investidores e tomadores, nacionais e estrangeiros.

COMPETITIVIDADE - Adequada precificação por meio de instrumentos de acesso competitivo aos mercados.

TRANSPARÊNCIA - No processo de formação de preço e nas informações de mercado e do BC.

EDUCAÇÃO - Conscientização do cidadão para que todos participem do mercado e cultivem o hábito de poupar.

CLIQUE AQUI para conferir a agenda completa.


2. Relatório de inflação do Banco Central

Em texto oficial, o BC fala sobre seu relatório de inflação (RTI):

“O relatório de inflação apresenta as diretrizes das políticas adotadas pelo Copom (Comitê de Política Monetária) para cumprir o seu trabalho, considerações acerca da evolução recente do cenário econômico e previsões para a inflação. As projeções para a inflação são apresentadas em cenários com condicionantes para algumas variáveis econômicas. Tradicionalmente, os condicionantes referem-se às trajetórias da taxa de câmbio e da taxa do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) ao longo do horizonte de projeção. Essas trajetórias normalmente são oriundas das expectativas coletadas pela pesquisa Focus, realizada pelo BC com analistas independentes.”

Destaque do RTI:
"O Comitê enfatiza que a continuidade do processo de reformas e ajustes necessários na economia brasileira é essencial para a queda da taxa de juros estrutural e para a recuperação sustentável da economia. O Comitê ressalta ainda que a percepção de continuidade da agenda de reformas afeta as expectativas e projeções macroeconômicas correntes. Em particular, o Comitê julga que avanços concretos nessa agenda são fundamentais para consolidação do cenário benigno para a inflação prospectiva. Na avaliação do Copom, a evolução do cenário básico e do balanço de riscos prescreve manutenção da taxa Selic no nível vigente. O Comitê ressalta que os próximos passos da política monetária continuarão dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação."

Coletiva de Imprensa da Diretoria do BC sobre o RIT (em 27/06/2019)
O presidente do BC, Roberto Oliveira Campos Neto, e diretores presentes enfatizaram as premissas e conclusões do RIT e reforçaram as premissas da Agenda BC #

Assista Coletiva de Imprensa AQUI.


Confira abaixo alguns destaques do Relatório de Inflação:

Inflação e expectativas de mercado
A inflação ao consumidor aumentou relativamente no trimestre encerrado em maio, em comparação ao trimestre anterior, situando-se acima do padrão sazonal compatível com a meta. A aceleração foi explicada, em grande medida, por aumentos nos preços de combustíveis, refletindo a elevação das cotações internacionais e a depreciação do câmbio. As medidas de inflação subjacente seguiram em níveis apropriados.
De acordo com a Pesquisa Focus, a mediana das projeções para a variação anual do IPCA em 2019 passou de 3,89%, em 15 de março, para 3,84%, em 14 de junho. As medianas das projeções para 2020, 2021 e 2022 ficaram estáveis em 4,00%, 3,75% e 3,75%, respectivamente. Para a inflação doze meses à frente, suavizada, a mediana das previsões passou de 3,99% para 3,57%.

Revisão da projeção do PIB para 2019
A projeção central para o crescimento do PIB em 2019 é de 0,8%, ante previsão de 2,0% apresentada no Relatório de Inflação de março de 2019. A revisão está associada à redução do carregamento estatístico para o restante do ano, refletindo o desempenho da economia no primeiro trimestre de 2019, em magnitude inferior ao esperado, à moderação no ritmo de atividade, apontada por indicadores de maior frequência divulgados até a data de corte deste Relatório, e ao recuo dos indicadores de confiança de empresas e consumidores com impactos sobre as perspectivas de consumo e investimento.

Revisão da projeção de crédito para 2019
A revisão da projeção do estoque de crédito para 2019 é segregada nos segmentos de pessoas jurídicas e físicas, e de recursos livres e direcionados (Tabela 1). As novas estimativas consideram as estatísticas de crédito divulgadas desde o Relatório de Inflação (março 2019) e a evolução da economia doméstica. Em comparação à projeção apresentada no Relatório anterior, houve revisão na projeção do crescimento do crédito para pessoas jurídicas, de 4,1% para 2,5%, enquanto a projeção para o saldo das pessoas físicas foi mantido em 9,7%. A projeção do saldo total de crédito foi revisada para 6,5% (ante 7,2% em março).

Em síntese, as projeções apresentadas na tabela acima contemplam o crescimento do crédito em 2019 sustentado pelas operações com recursos livres, enquanto as operações com recursos direcionados devem continuar impactadas pelo fraco desempenho entre as pessoas jurídicas. Para 2019, as variações projetadas para esses dois segmentos são de 11,6% e 0,4%, respectivamente (ante 12,5% e 0,8% no Relatório de março). Esse cenário é compatível com a continuidade do processo de queda na participação dos bancos públicos no total do saldo das operações de crédito.

Perspectivas para a inflação
As projeções apresentadas utilizam o conjunto de informações disponíveis até a reunião do Copom, realizada em 18 e 19 de junho deste ano (223ª reunião). Para os condicionantes utilizados nas projeções, em especial os advindos da pesquisa Focus, realizada pelo BC, a data de corte é 14 de junho, a menos que haja indicação contrária. As projeções condicionais para a inflação são apresentadas em quatro cenários, dependendo do condicionante usado para as trajetórias da taxa de câmbio e da taxa Selic, ao longo do horizonte de projeção. Os condicionantes podem ser trajetórias provenientes das expectativas coletadas na pesquisa Focus ou trajetórias em que os valores dessas variáveis permanecem constantes, ao longo do horizonte de projeção.

Projeções centrais de inflação em diferentes cenários

Condução da política monetária e balanço de riscos
Na avaliação do Copom, a evolução do cenário básico e do balanço de riscos prescreve manutenção da taxa Selic no nível vigente. O Comitê ressalta que os próximos passos da política monetária continuarão dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação.

Reunião do Conselho Monetário Nacional em 27 de junho de 2019
Meta de inflação de 2022 é de 3,50%

A decisão do Conselho Monetário Nacional (CMN) também fixou o intervalo de tolerância de menos 1,50% e de mais 1,50%.

Tendência de corte da taxa de juros
Em análise ao conjunto de informações apresentadas e previsões nossas e as de mercado; consideramos que hoje o intervalo provável de corte da taxa básica de juros Selic será de 0,50% a 1,0%, com maior probabilidade de ser cautelosamente distribuída em 0,5% de corte até dezembro deste ano, e mais 0,5% em 2020, dependendo da inflação para 2020, e do cenário internacional. Com isso, há uma premissa implícita de que a reforma da Previdência seja aprovada.


2 - Indicadores financeiros, Pesquisa Focus (BACEN) e Projeções

B3 (Ibovespa) e R$/USD

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Fonte: Omni Banco & Financeira

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