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Ciclo de corte de juros e impulso no crédito estimulam recuperação econômica

Ano 2 - Edição 22

por Nicola Tingas, Consultor Econômico

Ciclo de corte de juros e impulso no crédito estimulam recuperação econômica
 

Uma ótima notícia: O Comitê de Política Monetária (COPOM) do Banco Central do Brasil optou por uma ação incisiva no corte de juros. O corte de 0,5% do COPOM, do dia 31/07/2019, já veio com um comunicado sinalizando que possivelmente será seguido por corte de igual magnitude. Isso deverá permitir um corte acumulado de 1%, provavelmente já na próxima reunião do COPOM, dia 18 de setembro. A taxa de juros SELIC nesse cenário passará a 5,50% ao ano. Esse ajuste na taxas de juros já vinha evidente pelos dados de inflação corrente e projetada. Vide comunicado COPOM 31/07/2019 em https://www.bcb.gov.br/detalhenoticia/16812/nota.

Mais que isso, há espaço para ciclo de corte de juros mais extenso para 1,5%, ou seja, uma SELIC de 5%. Isso vai depender do quadro de risco avaliado pelo COPOM, que se mostra mais benigno nesse momento. Dependerá da confirmação  desse contexto de inflação abaixo da meta para os próximos anos, atividade com hiato do produto elevado, reforma da Previdência com aprovação final no Senado em setembro, desaceleração da economia global sendo atenuada pelas políticas econômicas e atuação dos principais Bancos Centrais, a começar pelo FED (Sistema de Reserva Federal dos Estados Unidos). 

O mercado de oferta de crédito teve rápida reação em relação a esse quadro favorável de corte de juros e provável melhoria nas expectativas dos agentes econômicos. Hoje se noticia na imprensa que três grandes bancos (CAIXA, Banco do Brasil e Itaú) anunciaram corte de juros para produtos de crédito pessoa física e pessoa jurídica, já antecipando ação de mercado de outros bancos, financeiras, cooperativas e fintechs. 

Cabe salientar que o Banco Central vem dando ênfase na busca de "juros baixos duradouros, serviços financeiros melhores e a participação de todos no mercado. É o que o Banco Central (BC) chama de democratização financeira. Para isso, o BC mantém a Agenda BC#, uma pauta de trabalho centrada na evolução tecnológica para desenvolver questões estruturais do sistema financeiro. A Agenda BC# reformula o projeto iniciado em 2016 pela Agenda BC+, acrescentando novas dimensões e fortalecendo as anteriores. Além de buscar a queda no custo do crédito, a modernização da lei e a eficiência no sistema, o BC mira a inclusão, a competitividade e a transparência".

 

De fato, há um intenso cronograma de ação em andamento que será ainda mais fortalecido pelo Cadastro Positivo, que acaba de receber regulação complementar para tratamento de dados pelos bureaus de crédito. A partir de 2020, esse movimento conjunto deverá ampliar bastante a oferta e expansão do Crédito no Brasil.
O comunicado do COPOM indica que o cenário internacional continua sendo um importante risco
. Nesse sentido cabe entender a dinâmica do FED no corte de juros, que influencia o dólar, os ativos financeiros e os fluxos de capital e investimento para mercados emergentes, como o Brasil.

Na data de hoje, o FED reduziu a taxa de juros americana em 0,25% para intervalo de 2,0 a 2,25%. Foi a primeira redução desde a crise do "sub-prime" de 2008. Entre os riscos principais que motivaram o corte do FED estão a inflação que se mantém abaixo da meta,  preocupações crescentes sobre a desaceleração do crescimento da economia global (em particular na China e na Zona do Euro) associada a efeitos do conflito nas relações de comércio e das patentes de tecnologia entre USA e China.

Em entrevista coletiva, Jerome Powell, presidente do FED, atribuiu o corte de juros a um "mid-cycle adjustment to policy" (ajuste de meio caminho da política monetária) levando o mercado a entender que haverá mais corte de juros. Entretanto, apesar de deixar aberta a possibilidade, sustentou que o presente movimento não é necessariamente o início de um ciclo de cortes. Alguns analistas experientes traçaram a hipótese de que o FED está retomando um estilo de política monetária praticada pelo ex-presidente do FED, Alan Greenspan, nos anos 90. 

A Bloomberg News (clique para conferir) reproduziu esse pensamento da seguinte forma:

"O presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, retomou os sucessos políticos do Banco Central em 1990, sugerindo que ele pode sustentar a expansão econômica recorde dos EUA com uma modesta redução nas taxas de juros. [...]A observação de Powell levantou comparações com 1995-96 e 1998, quando Alan Greenspan liderou o FED. Em cada instância, o Banco Central acabou cortando as taxas três vezes em um esforço bem-sucedido para prolongar uma recuperação econômica que até este ano era a mais longa.".

Powell deixou os mercados confusos no primeiro instante, mas depois entendeu-se que haverá menos cortes do que o esperado, o que desvalorizou ativos (Bolsa de Valores) e fortaleceu o Dólar.

De qualquer forma, a hipótese básica é que o FED fará ajustes cautelosos ao longo do tempo, buscando sustentar o crescimento econômico por um período longo, como fez Alan Greenspan. Isso num cenário de economia global ainda em risco de maior desaceleração. Haverá volatilidade e dólar forte em relação a países vulneráveis.

2 - Indicadores financeiros, Pesquisa Focus (BACEN) e Projeções

B3 (Ibovespa) e R$/US

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Fonte: Omni Banco & Financeira

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