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Bancos Centrais reduzem juros e monitoram desaceleração do PIB global

Ano 2 - Edição 25

por Nicola Tingas, Consultor Econômico

Bancos Centrais reduzem juros e monitoram desaceleração do PIB global

O cenário internacional indica uma forte queda do comércio global e severa redução da atividade industrial, em boa parte agravada pelo conflito comercial e tecnológico entre USA e CHINA. Nesse contexto, ocorre importante deflação e desaquecimento expressivo no ritmo de crescimento dos principais países relevantes no PIB mundial.

Esse ambiente tem induzido muitos Bancos Centrais ao redor do mundo a promover redução adicional de  suas taxas de juros e realizar operações de ampliação de liquidez no sistema financeiro (em alguns países); e também apoiar o refinanciamento de passivos e fluxos privados. Assim, predomina uma histórica e brutal liquidez nas finanças globais. 

Entretanto, países emergentes podem ter restrições na atração de capital externo de portfólio e de investimento, em caso de aumento da aversão ao risco. Em agosto, houve maior volatilidade afetando moedas e bolsas de países em fragilidade fiscal (Brasil), risco de liquidez externa (Argentina) e/ou risco político e institucional.

Em setembro, a redução de juros e estímulos pelo Banco Central Europeu (ECB), Federal Reserve (FED) e outros, ao mesmo tempo em que ocorre ligeira trégua na "guerra comercial" entre USA e China, atenuaram a transmissão de efeitos de aversão a risco para países emergentes como o Brasil, facilitando o corte da taxa de juros pelo Comitê de Política Monetária (Copom). 

A redução da taxa de juros (Selic) de 6%, para 5,50%, foi acompanhada de comunicado do Copom, que sinaliza intenção de praticar uma política monetária incisivamente estimulativa, para apoiar a recuperação cíclica da economia. Com esperados juros decrescentes no financiamento, o reforço na já expressiva concessão de Crédito trará impulso adicional à Intensão de Consumo das Famílias (ICF), favorecendo a recuperação do PIB.

Dependendo do cenário internacional e agenda de governo, há possibilidade do Banco Central aproveitar essa "janela de oportunidade" de relaxamento monetário global e "testar juros reais" (ex-post) próximos de 1%.

(p) Inflação e juros meta Copom projetados (2019 a 2022)

Em nossa simulação gráfica, o Banco Central (Bacen) deve reduzir juros para 4,50 % até dezembro, mantendo essa taxa até dezembro de 2020. Para os anos seguintes, em cenário favorável, poderá haver gradual redução da taxa de juros Selic até 4,0%, em dezembro de 2022. Considerando inflação do comunicado do Copom de 3,40%, para 2019, 3,60% para 2020, e mantendo esse patamar para anos posteriores, a taxas de juros real (ex-post) decresce para o patamar de 1,0 % ou menor. Essa taxa real é a mesma praticada em 2012-2013, com uma grande diferença: agora esse patamar é sustentável ao longo do tempo, em função do esperado avanço fiscal e efetividade da agenda BC# em promover competição e redução dos juros finais ao tomador de financiamento em geral.

 

2 - Indicadores financeiros, Pesquisa Focus (Bacen) e Projeções


B3 (Ibovespa) e R$/USD

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Fonte: Omni Banco & Financeira

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