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Construção de "ciclo de expansão do crédito" impulsiona recuperação econômica

Ano 3 - Edição 31

por Nicola Tingas, Consultor Econômico

Construção de "ciclo de expansão do crédito" impulsiona recuperação econômica

O Banco Central do Brasil (BACEN) tem desenvolvido diversas ações de transformação do Sistema Financeiro Nacional para ampliar significativamente, e de forma sustentável, a oferta de liquidez e crédito na economia (vide Agenda BC#).O BACEN  tem ainda dirigido atenção para a promoção da capitalização da oferta de liquidez, e expansão do crédito em taxas de juros decrescentes para o tomador final, ampliando a inclusão de consumidores e microempresários que não tinham acesso adequado aos recursos de financiamento para seus orçamentos e negócios. Essa construção de um "ciclo de expansão do crédito" tem sido apoiada por "política monetária estimulativa" que reduziu a taxa de juros (SELIC) de 14,25% (em 2016) para atual 4,50%, devendo chegar em 4,25% na reunião do Comitê de Política Monetária (COPOM).

Esse "ciclo de expansão do crédito" ocorre juntamente com a recuperação cíclica da economia.  
O Crédito Total do Sistema Financeiro Nacional (SFN), depois de dois anos de contração, adquiriu uma trajetória de expansão de 5% em 2018, 6,5% em 2019 e poderá crescer 7,5% ou mais em 2020, se o cenário de PIB em 2,3%, ou maior, se mantiver firme.

 

O destaque dessa tendência foi a expansão do "crédito com recursos livres - pessoa física" em 16,6% e o "crédito com recursos livres - pessoa jurídica" em 11,2% no ano de 2019. Para 2020, estimativas indicam crescimento ainda forte, próximo a 12% para ambas as modalidades, com possibilidade de crescimento maior com a introdução operacional do Cadastro Positivo que promoverá em poucos anos a expansão da relação Crédito/PIB  de 47,8% em 2019 para 70% a 80% do PIB, entre 5 a 7 anos, caracterizando um novo ciclo de expansão de crédito na economia nacional.

Indicadores de crédito mostram riscos administráveis no atual cenário de recuperação cíclica da economia.  

A taxa de inadimplência está em um patamar historicamente baixo, apesar do ligeiro aumento ocorrido na Pessoa Física.

O endividamento e comprometimento de renda das famílias cresceu em 2019 para atender uma demanda reprimida do período recessivo. Em novembro de 2019, o comprometimento da renda das famílias com serviço de dívida (SFN - exceto dívida habitacional) cresceu para 18,58% contra 17,35% um ano antes, nível próximo ao do ano de 2009, mais abaixo que o período de crise, com comprometimento de renda de 21,0% em 2011. O endividamento das famílias em relação à renda anual também cresceu para 26,29% em novembro de 2019, acima dos 24,07% de um  ano antes. O pico de endividamento foi de 31% em 2011/2012. 

Endividamento das famílias em relação à renda anual e comprometimento da renda das famílias com serviço de dívida (SFN - exceto habitacional).

O que se pode avaliar é que, diferentemente do pico de 2011-2012, o atual processo de endividamento e comprometimento de renda é melhor distribuído. Há menor acesso à dívidas de curto prazo e utilização de dívidas mais longas e mais baratas, que no geral têm melhor "colateral" (garantia em concessões de dívidas). Também é necessário considerar que a própria recessão, educação financeira, e oferta de mais opções de produtos e melhores alternativas de crédito para o tomador têm permitido melhor gestão do passivo e fluxo de caixa. Contudo, é bom lembrar que em muitos casos de baixa renda a fragilidade e oscilação da renda pessoal provoca endividamento adicional em contas não financeiras, como contas de consumo: energia, gás, aluguel, escola, etc. 

 

Assim, a questão se remete para a melhoria do emprego e da renda. A criação de emprego formal em 2019 foi a melhor desde 2013 com 644.100 novos empregos com carteira assinada, de acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED). A taxa de desocupação da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) caiu para 11,9% em 2019 (12,6 milhões de pessoas), contra 12,3% em 2018, número de desempregados ainda elevado. O destaque foi o trabalho informal que atingiu seu maior contingente desde 2016, com 41,1% da população ocupada, (38,4 milhões de pessoas), principalmente em função do trabalhador por conta própria.

 

Esse direcionamento na busca de fontes de renda alternativas tem impulsionado os agentes econômicos na geração de renda na economia informal ou iniciativas próprias em microempresas ou iniciativas diversas de empreendedorismo. Esse crescente movimento gera maior massa de rendimentos informal, que somada ao rendimento formal, permite ampliar a liquidez no tecido econômico, gerando melhora no giro dos negócios, na confiança,  maior consumo e volta gradual de investimentos. Para 2020, a expectativa dos especialistas em mercado de trabalho é de continuidade na melhoria do emprego e massa de rendimentos.

 

Nesse contexto, o comércio varejista mantêm expectativas favoráveis quanto ao seu desempenho em 2020. Para o Boa Vista SPC, o comércio varejista cresceu 1,7% em 2019 e deverá crescer 3% em 2020. Segundo recente pesquisa do Instituto Brasileiro de Economia (IBRE - FGV), o Índice de Confiança do Consumidor (Icom) aumentou 1,3%, entre dezembro de 2019 e janeiro de 2020, e alcançou 98,1 pontos, a melhor marca desde fevereiro de 2019. A visão do IBRE - FGV é de que "2020 começa com alta da confiança do comércio, influenciada pela melhora das expectativas que voltaram a subir depois de um período de espera dos empresários no final de 2019" (fonte: Estadão - 01/02/20).

 

Com o fim do recesso parlamentar, foi anunciada a agenda de prioridades do governo para aprovação no Congresso Nacional: reforma tributária, MP do Contribuinte Legal, Programa Verde-Amarelo, independência do Banco Central, privatização da Eletrobrás, Plano de promoção do Equilíbrio Fiscal, Novo Marco Legal do Saneamento, Plano Mais Brasil (reúne emendas à Constituição - PECs - Emergencial, do Pacto Federativo, e dos Fundos Públicos). 

 

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, tem manifestado que a reforma tributária é a número um entre as prioridades.  Estima-se que haverá um esforço conjunto - Câmara e Senado - para avançar nessa reforma, ainda antes das eleições de outubro. O avanço nesse tópico seria muito positivo para a economia, confiança e atração de investimento. Ano eleitoral dificulta votações no Congresso, mas o andamento terá um fator bastante positivo.

 

Apesar das expectativas de que o cenário econômico brasileiro seja favorável em 2020, a ameaça do Coronavírus, e seus efeitos sobre o comércio e economia global, é um importante fator de risco a monitorar.

 

2 - Indicadores financeiros, Pesquisa Focus (BACEN) e Projeções B3 (Ibovespa) e R$/USD

 

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Fonte: Omni Banco & Financeira

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