Notícias

"O mundo" enfrenta o coronavírus (Covid-19)

Ano 3 - Edição 32

por Nicola Tingas, Consultor Econômico

"O mundo" enfrenta o coronavírus (Covid-19)

Em fevereiro de 2020, houve rápida disseminação do coronavírus (Covid-19), primeiramente concentrado na China, e em poucas semanas atingiu escala global. Por hora, foram identificados dois aspectos dessa "cepa virótica" em comparação com as anteriores:  rápida disseminação do vírus que implica em risco de contágio em ampla escala; mas com baixa taxa de mortalidade dos infectados, de acordo com o Ministério da Saúde.

Decorre daí uma importante questão: quanto tempo será necessário até que a disseminação seja reduzida e as infecções e mortes recuem significativamente? A Dra. Ester Sabino, professora e pesquisadora do Departamento de Moléstias Infecciosas da Faculdade de Medicina (IMT-USP), que integrou a equipe de cientistas brasileiros que sequenciou o genoma do coronavírus esclarece em artigo (FOLHA. 03/03/2020): "Eu adoraria dizer que a epidemia do Covid-19 será controlada rapidamente. Mas, o fato que alguns países como a Itália terem demorado para detectar o vírus indica que contê-lo está cada vez mais difícil. A Covid-19 já circula em mais de 50 países nos seis continentes. O custo de uma epidemia é enorme. Pesquisas nesta área não podem parar".

A China optou por fechar fábricas, evacuar áreas e buscar rápida redução da disseminação do Covid-19. Isso acarretou na interrupção da produção de insumos e produtos de utilização global, desencadeando insuficiência de componentes, insumos e produtos para diversas indústrias, serviços, comércio e agricultura na Europa e EUA, e em pequena escala no Brasil. Esse "choque de oferta" começa a desorganizar e desacelerar a atividade global, derrubar preços de commodities pela queda da importação chinesa e menor atividade global. Além disso, o avanço do coronavírus criou medo nas pessoas, provocando esvaziamento de locais públicos, restaurantes, hotéis, shows e jogos esportivos, viagens, vôos diversos, afetando seriamente o setor de serviços. No fim de fevereiro, com a crescente disseminação do contágio e seus efeitos econômicos, as bolsas de valores americanas (acompanhadas pelas bolsas globais) tiveram enorme queda que provocou perdas de grande magnitude no valor das cotações de ações de empresas diversas. Foi a maior queda, desde a crise do subprime, em 2008. 

A instituição intergovernamental Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD) alertou que o coronavírus poderá provocar a maior contração econômica global desde a crise 2008/2009. O crescimento global em 2020 agora é estimado em 2,4 % (0,5 % menos que a projeção de novembro) contra 2,9 % de expansão em 2019, sendo possível que ocorra contração no 1º trimestre 2020. Se houver uma reversão da epidemia e volta da confiança, o crescimento global poderá ser de 3,25 % em 2021. Se for intensa e durar mais tempo, atingindo a região Ásia-Pacífico, Europa e América do Norte, o crescimento global poderá cair para 1,5 % em 2020, metade da projeção atual.

A OECD recomenda: 1) que os governos promovam políticas de proteção e saúde amplas e eficientes para evitar o contágio e tratar os infectados; 2) Políticas macroeconômicas estimulativas podem ajudar a restaurar a confiança e ajudar na retomada da demanda, na medida em que o coronavírus regredir, mas não podem compensar desajustes de paralisação de atividades e restrições de viagem; 3) Se riscos de maior queda forem materializados e o crescimento parecer ser menor por um longo período de tempo, promover ações coordenadas multilaterais de resgate de saúde e diminuição de risco, apoiar economias de baixa renda e, conjuntamente, financiar políticas de gasto público, poderão ser as melhores formas de restaurar a confiança e apoiar a renda.

Serão necessárias medidas para realização do cenário básico de resgate do crescimento em 2021: 
1. Medidas planejadas são necessárias na China e nas economias mais afetadas pelo coronavírus;
2. Política monetária precisa ser mantida de forma estimulativa em todas as economias, para garantir que as taxas de juros de longo prazo se mantenham baixas;
3. Apoio fiscal precisa ser garantido via investimento público mais amplo;
4. Ações mais incisivas sob coordenação global são necessárias, caso os riscos de queda se materializem mais fortemente.

(Fonte: OECD ECONOMIC OUTLOOK Interim Report March 02, 2020 - "Coronavirus: The world economy at risk").  

Na sequência, organismos multilaterais e importantes bancos centrais manifestaram apoio a uma ação conjunta para amenizar os efeitos do coronavírus. O Banco Mundial e FMI indicaram estar preparando um fundo emergencial. Alguns bancos centrais já começam a reduzir juros, aproveitando as condições domésticas dos países e tendência deflacionária dos preços (projeção de inflação cadente nos próximos períodos). Lidera este movimento o Sistema de Reserva Federal dos Estados Unidos (FED) que em 03/03/2020 fez um corte de 50 basis points de sua taxa básica de juros para o intervalo de 1 a 1,25 % ano. Esse corte foi fora da agenda de encontros do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), movimento que ocorreu na crise de 2008 e na derrubada das torres gêmeas em Nova Iorque, em 2001, e poucas outras vezes em décadas. Outros cortes de juros pelo mundo já estão sendo anunciados, inclusive do Banco Central do Brasil (Bacen) que fez essa sinalização em comunicado no mesmo dia.

O mercado teve uma primeira reação positiva e depois caiu forte na interpretação de que o FED sabe de algo mais que ainda não foi revelado. Nossa avaliação é de que o FED e o sistema financeiro global tem razões para reduzir juros e prover mais liquidez ao mercado, principalmente na China e países da ASIA, EUA e Europa onde o choque de oferta provoca séria descontinuidade no fluxo de caixa das empresas em geral, contra um passivo alavancado em muitos casos. Isso quer dizer que haverá necessidade de financiamento do fluxo de caixa operacional das empresas durante a travessia da disseminação global do coronavírus. 

Os dois cenários traçados pela OECD dão dimensão do grau de incerteza e altos riscos que prevalecem por tempo ainda desconhecido no contexto humano e econômico global. Avaliamos que esse é o maior sentido dos cortes de juros, além de serem importantes para conter piora das expectativas dos agentes econômicos, o que provoca queda na propensão a consumir e a investir. Portanto, trata-se de atenuar o sentimento negativo, ajudar a "rolar o fluxo de caixa" de empresas e famílias quando for o caso, e após a desaceleração do efeito do coronavírus servir como fator de estímulo na recuperação econômica.

No dia 04/03/2020 o IBGE divulgou que o PIB brasileiro cresceu 1,1 % em 2019. A recuperação da economia tem mantido baixo patamar em anos recentes. Para 2020, estava prevista uma aceleração cíclica do PIB para patamar próximo ou maior que 2 %. Desde a semana passada alguns bancos e corretoras têm revisado sua projeção de PIB 2020 para um intervalo entre 1,4 % e 1,6 %. De fato, todos os analistas de mercado e consultorias estão fazendo suas revisões estes dias, uma vez conhecidos os dados abertos de 2019. A dispersão das projeções será maior e a incerteza também, em função da desconhecida extensão dos efeitos do coronavírus no Mundo e no Brasil.  

Nossa revisão do PIB 2020 indica crescimento de 1,7 % (contra 2 % anterior e 2,3 % no início do ano). Esta projeção situa-se na ponta superior da "faixa de projeções de mercado" que deveremos conhecer melhor ao longo dos próximos dias. Em nossa revisão de projeção foram assumidas algumas premissas que poderão permitir uma maior resiliência da economia brasileira perante a economia global.  Algumas premissas são:

1. Assumimos que o efeito coronavírus será menor no Brasil. Estamos mais distantes da zona de maior concentração de casos: Ásia, Europa e, em menor escala EUA. Tem ocorrido uma ação do Ministério da Saúde sobre cuidados preventivos e antecipação de vacinação de inverno, além do esforço de contenção da disseminação; 

2. O Consumo das Famílias continua favorecido pelo gradual incremento do trabalho e renda, em contexto de inflação declinante para o patamar de 3 %, gerando melhora no poder aquisitivo;

3. As medidas da Agenda BACEN #, o Cadastro Positivo, a crescente competição e barateamento de alguns produtos de crédito, a possível redução da taxa de juros SELIC para próximo de 3,75 % nas reuniões do Comitê de Política Monetária (COPOM)

2 - Indicadores financeiros, Pesquisa Focus (BACEN) e Projeções. 

B3 (Ibovespa) e R$/USD

DISCLAIMER

1) A presente Newsletter foi preparada pela Tingas Consultoria, Assessoria e Treinamento Ltda., a pedido de Omni Banco S.A. (“Omni Banco”) e não deve ser considerada um relatório de análise

para os fins do artigo 1º da Instrução CVM nº 598, de 3 de maio de 2018 ou quaisquer outras regulamentações aplicáveis relacionadas ao tema.
2) Esta Newsletter tem como objetivo único fornecer informações macroeconômicas e análises políticas e não constitui e nem deve ser interpretada, sob nenhum aspecto, como sendo uma oferta de compra/venda ou como uma solicitação de uma oferta de compra/venda de qualquer instrumento financeiro, ou de participação em uma determinada estratégia de negócios em qualquer jurisdição. As informações contidas nesta Newsletter foram consideradas razoáveis na data de sua divulgação e foram obtidas de fontes públicas consideradas confiáveis. O Omni Banco não dá ne nenhuma segurança ou garantia, seja de forma expressa ou implícita, sobre a integridade, confiabilidade ou exatidão dessas informações. A presente Newsletter não tem a intenção de ser uma relação completa ou resumida dos mercados ou desdobramentos nela abordados. As opiniões, estimativas e projeções expressas no presente informativo refletem a opinião atual do responsável pelo conteúdo desta Newsletter na data de sua divulgação e estão, portanto, sujeitas a alterações sem aviso prévio. O Omni Banco não tem obrigação de atualizar ou modificar esta Newsletter, tampouco de informar o leitor.
3) O responsável pela elaboração desta Newsletter certifica que as opiniões, estimativas e projeções nela expressas refletem, de forma precisa, única e exclusiva, sua visão e opinião pessoal, tendo sido produzidas de forma independente e autônoma, inclusive em relação ao Omni Banco.
4) Esta Newsletter é destinada à circulação exclusiva para a rede de relacionamento do Omni Banco, podendo ser distribuída para os seus clientes, bem como para os clientes das empresas integrantes do grupo econômico do qual o Omni Banco faz parte e divulgada no site http://www.omni.com.br. Fica proibida a reprodução e/ou a redistribuição desta Newsletter para qualquer pessoa, no todo ou em parte, qualquer que seja o propósito, sem o prévio consentimento expresso do Omni Banco.
5) O Omni Banco e/ou quaisquer das empresas integrantes de seu grupo econômico não se responsabilizam por decisões de investimentos que venham a ser tomadas com base nas informações divulgadas nesta Newsletter e se exime de qualquer responsabilidade por quaisquer prejuízos, diretos ou indiretos, que venham a decorrer da utilização deste material ou seu conteúdo.
6) Para maiores informações sobre os produtos e serviços do Omni Banco, favor acessar o site http://www.omni.com.br

Fonte: Omni Banco & Financeira

Notícias relacionadas

2020-05-13 17:25:00

Conjuntura atual: desafios na saúde (covid-19) e na economia (PIB)

por NICOLA TINGAS Leia mais.
2020-04-01 03:50:00

Combate ao covid-19: aumenta a ação emergencial na saúde e economia

por NICOLA TINGAS Leia mais.
2020-03-24 12:25:00

 Combate ao Covid-19: não há tempo a perder na saúde e na economia

por NICOLA TINGAS Leia mais.