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2º semestre: expectativas positivas no curto prazo

Ano 3 - Edição 38

por Nicola Tingas, Consultor Econômico

2º semestre: expectativas positivas no curto prazo, mas desafios persistirão no médio prazo

O primeiro semestre de 2020 foi muito difícil. A declaração da pandemia global pela OMS em 11 de março deste ano provocou "choque de oferta" instantâneo seguido de inédita queda vertical da demanda, praticamente paralisada nas primeiras semanas, exceto por bens de consumo essencial como alimentação, saúde, outras necessidades imediatas. Indicadores confirmam que, entre abril e o início de maio, foi atingido o ponto de maior contração da atividade (fundo do poço). O PIB para o 2º trimestre é estimado em queda inédita entre 9% e 11%. 

Em maio e junho houve gradual volta de atividade baseada na expectativa de controle da covid-19 (suposto atingimento do teto da curva de contaminação e óbitos) e também como reflexo dos apoios extraordinários do Executivo, Congresso Nacional e Banco Central. Foram ações que buscavam dar liquidez e ampliar a oferta de crédito em geral; programas de preservação do emprego formal; programa emergencial para trabalhadores informais e vulneráveis (auxílio de R$ 600 para aproximadamente 55 milhões de pessoas); programa específico de crédito para pequenas e médias empresas (PMEs), que são as mais vulneráveis em termos de fluxo de caixa; e "lastro de capital". 

Indicadores econômicos em recuperação têm propiciado expectativas positivas no curto prazo:

1. De acordo com o Índice Cielo do Varejo Ampliado, houve melhora gradual do faturamento do Varejo, principalmente em junho. A aceleração de consumo em semanas recentes da abertura do comércio em várias cidades, explicitou uma demanda de consumo reprimida, devido ao isolamento social. No entanto, em decorrência do recente retorno de maior nível de contaminação em várias cidades e regiões, ocorreu fechamento do comércio e/ou presença reduzida do consumidor por risco sanitário. O fluxo de varejo é favorável, mas ainda volátil, enquanto houver alto contágio.

2. Desaceleração do ritmo de fechamento de emprego formal, de acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED). Fechamento líquido - entre contratações e demissões - de 331,9 mil vagas em maio, contra 860,5 mil em abril. Foi um mês positivo, mas depende do ritmo de recuperação dos próximos meses. Com o intuito de preservar vagas de emprego, o governo pretende anunciar prorrogação da redução da jornada de trabalho e salário e a suspensão do contrato de trabalho. 

3. Queda da taxa de juros para menor patamar em décadas. Em ambiente de redução expressiva de preços relativos na economia (deflação de curto prazo induzida pela forte contração da economia) o Comitê de Política Monetária (COPOM) avalia que os dados de conjuntura ainda permitem a redução da taxa básica nominal de juros (SELIC) para um patamar de amplo estímulo monetário. Assim poderá reduzir significativamente a taxa de juros real expressa aqui na comparação juros X inflação (ex-post). Essa condição permite redução do custo de rolagem da dívida pública em momento de ampliação significativa da mesma por conta dos gastos públicos emergenciais e também propicia um horizonte de taxa de juros mais baixas para o tomador no momento de retomada da economia.

4. Ativos financeiros tiveram 2º trimestre de resultado expressivo, principalmente nos USA, devido aos contínuos e elevadíssimos estímulos monetários e fiscais por lá, e também em outros países desenvolvidos. O Brasil foi beneficiado pelo contexto externo; melhora do ambiente político; pelo aumento da "propensão a poupar" de quem tem renda auferida, e busca mitigar o risco advindo dos efeitos do covid-19, que gera imprevisibilidade no patamar de renda futura. Além disso, fundos de pensão estão tendo que tomar mais risco em ativos reais como ações, em vez de manter portfólios em renda fixa, por dificuldade de atingir metas atuariais. Pessoas físicas, principalmente a geração mais jovem no mercado de trabalho ou informais, têm destinado maior parcela de seus fundos para aplicação em bolsas de valores, seja pela intensa oferta vinda da inovação dos canais digitais; e também pelo "custo de oportunidade" de tomar risco em ações vis-à-vis taxa de juros "muito baixa". 

2 - Indicadores financeiros, Pesquisa Focus (BACEN) e Projeções 

B3 (Ibovespa) e R$/USD

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Fonte: Omni Banco & Financeira

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