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2021 termina com perda de tração econômica, inflação de dois dígitos e juros crescentes

2021 termina com perda de tração econômica, inflação de dois dígitos e juros crescentes

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central do Brasil (IBC-Br) do 3º trimestre 2021 indicou ligeira contração de 0,14% (vide gráfico). Como a evolução do PIB oficial calculado pelo IBGE tem historicamente confirmado essa estimativa prévia, podemos considerar confirmada  a perda de tração da economia desde o 4º trimestre de 2020.

Essa tendência resulta dos choques de oferta e de custos internos e externos, defasagem de preços relativos, em decorrência do crescente descompasso entre oferta e demanda, choques de preços de combustíveis e energia elétrica. Além disso, há pressão da forte desvalorização cambial devida principalmente a deterioração das contas públicas e crescente risco fiscal e político sendo precificado na taxa de câmbio.

Em consequência, a taxa de inflação tem acelerado em velocidade e intensidade acima do esperado. O índice de preços ao consumidor (IPCA), índice oficial de inflação no Brasil, vem subindo desde o 4º trimestre de 2020 e neste ano teve forte e surpreendente intensificação, atingindo 10,73% no acumulado em 12 meses no índice parcial de novembro (IPCA-15).
 

A inflação alcançou patamar elevado para a maioria da população, que além de falta de opções de renda, com o desemprego ainda expressivo, teve seu poder aquisitivo drasticamente reduzido. Isso aumentou a taxa de endividamento de muitas famílias de baixa renda que passaram a fazer a "ponte de travessia financeira" com empréstimos que têm se acumulado e já indicam limites na capacidade de pagamento. Já a parcela empregada da população ou que tem base de obtenção de renda, tem consumido de forma declinante como indicaram as vendas da Black Friday. A Confiança do Consumidor está em queda.

O desafio da inflação acima das expectativas é global. O Sistema de Reserva Federal dos Estados Unidos (FED) acaba de anunciar que na  reunião de dezembro deverá fazer nova redução da compra de ativos que injeta forte liquidez na economia, sinalizando que o aumento de juros nos USA está mais próximo, talvez em 2022. Esse ambiente externo somado ao "risco Brasil" elevado, devido a deterioração fiscal promovida pela voracidade eleitoral dos políticos, pressionará mais a taxa de câmbio. Portanto, nesse cenário complexo de alta inflação, atividade em queda e pressão fiscal e cambial, o Banco Central está com dificuldade de alinhar adequadamente a intensidade e velocidade do aumento da taxa básica de juros (SELIC).

Os ativos de renda variável brasileiros, apesar da recuperação do lucro das empresas nos recentes balanços trimestrais, têm sido fortemente afetados pelo crescente ambiente de deterioração fiscal, política e econômica do País. Hoje, cresce a  propensão de que o PIB 2022 seja bem fraco ou até mesmo ocorra recessão. Esse cenário tem diminuído as expectativas de melhores resultados empresariais em 2022, inibindo as possibilidades de valoração futura do valor das empresas (ações).

A taxa de câmbio crescentemente desvalorizada pouco acresce nas expectativas de exportação em um cenário externo novamente dúbio e de risco com a nova variante Ômicron da Covid. Pelo contrário, a taxa de câmbio, ainda mais desvalorizada no ano eleitoral de alta volatilidade, traz mais custos nos insumos importados (matérias primas em larga escala). 

Nos USA, depois de uma valorização espetacular das Bolsas de Valores desde os gigantescos pacotes de ajuda emergencial americanos, começa também crescer a pressão de inflação, problemas de oferta de mão de obra, pressões de custos de produção e de energia. O Índice Dow Jones também se ajusta a este cenário menos virtuoso.

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Fonte: Omni

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