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Momento Econômico | Panorama para maio/junho 2019

Ano 2 - Edição 17

por Nicola Tingas, Consultor Econômico

 

Panorama maio/junho 2019: negociação do "mérito" da reforma da Previdência. Estratégias para estancar a queda do PIB e como estimular a economia.

 

Reforma da Previdência: uma tramitação ruidosa.

Passados quatro meses de novo governo, até o momento, não há expectativa de apoio suficiente na Câmara dos Deputados (308 votos) para aprovar a reforma da Previdência, que avançou na Comissão de Constituição e Justiça em abril. A próxima etapa será a discussão e a negociação do "mérito" do conteúdo da reforma. Há resistência política em relação a diversos pontos. O sistema político recebe a PEC da Previdência para discussão e aprovação em momento em que vários atores políticos (da situação e da oposição) já se mobilizam estrategicamente com relação as eleições municipais em 2020 e, por consequência, buscam estabelecer melhores bases políticas para a corrida presidencial de 2022. Nesse ambiente, a reforma apresenta ruídos em sua tramitação e mais lentidão que o desejado pela equipe econômica e pelos agentes econômicos no País e no exterior - que aguardam melhor cenário para poder tomar decisões de investimento e consumo, necessárias para melhor impulsionar a lenta recuperação cíclica da economia.


PIB estagnado: como estancar a queda?

O governo anunciou a "MP da Liberdade Econômica" paramelhorar o ambiente de negócios, em particular para micro e pequenos empreendedores. Tratam-se de medidas de desburocratização e facilitação dos negócios, ganhando tempo e custos de processo, além de maior liberdade para definição de preços, contratos, etc. O governo informa que haverá mais medidas "microeconômicas" para estimular a economia. No entanto, tais medidas terão efeito restrito e atenuante, não sendo suficientes para ativar o "animal spirit" dos empresários e tampouco gerar uma reversão rápida do desemprego e melhoria da renda.


Como estimular um crescimento econômico mais robusto?

Neste momento histórico da economia brasileira, o investimento direto internacional é a principal fonte de financiamento para uma retomada expressiva da economia. Porém, deve demorar a apresentar resultados expressivos por conta da lentidão da reforma da Previdência, além de necessitar de medidas regulatórias e contratuais que viabilizem o aporte de risco no Brasil. Conscientes disso, dois veteranos e respeitados econometristas brasileiros propuseram uma alternativa comum que poderá "servir de ponte" até haver acesso de outros recursos de financiamento da economia:

De acordo com o Professor Dr. Fernando Holanda Barbosa da Escola Brasileira de Economia e Finanças FGV/EPGE, em artigo publicado no Valor Econômico ele propõe que recursos advindos do pré-sal e das privatizações deveriam ser usados em investimentos em infraestrutura, pois reduziriam a dívida social e tirariam o país da estagnação, com a volta do crescimento econômico e a redução da taxa de desemprego.

Já o Professor Dr. Affonso Celso Pastore da Universidade de São Paulo, comenta em um artigo publicado no ESTADÃO que sem recursos, o governo terá de utilizar o setor privado para concessões e poderá apressar os leilões de infraestrutura, que não precisam de aprovação do Congresso, e não há limites para um programa ambicioso.

Há alguns meses, previmos que seria um erro estratégico colocar todas as expectativas condicionadas a uma única medida de impacto (reforma da Previdência), principalmente porque a história brasileira nos mostra o quanto os processos políticos são sempre difíceis e demorados. Portanto, é preciso haver um leque de medidas e estratégias atenuantes para uma crise como a atual. Podemos ao menos dizer que finalmente estamos assistindo alguma reação do governo. Esperamos que acolham e avaliem as citadas sugestões e proposições dos experientes e consistentes economistas citados aqui.


Consumo e crédito poderão atenuar a queda do PIB no 2º semestre.

Além de medidas microeconômicas do governo, o Banco Central tem realizado ações efetivas para "ampliar a oferta e a competição no mercado de Crédito"; buscando capitalizar o acesso ao crédito para milhares de pessoas, reduzir seu risco e as taxas de juros. Além das medidas já tomadas e outras a caminho, um estímulo importante para os próximos anos será o Cadastro Positivo, com início operacional no último trimestre deste ano. O sistema de informação positiva deverá ampliar a relação Crédito/PIB, de 47% para 70 a 80%, em alguns anos. O PIB 2019 e anos recentes tem indicado que o consumo das famílias, apesar de estar perdendo vigor, ainda sustenta um patamar de crescimento ligeiramente acima do PIB Total. Juntos, crédito e consumo poderão atenuar a queda do PIB no 2ª semestre.
 

 

2 - Indicadores financeiros, Pesquisa Focus (BACEN) e Projeções

B3 (Ibovespa) e R$/USD

 

 

 

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Fonte: Omni Soluções Financeiras

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