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Momento Econômico | Bancos Centrais sinalizam queda nas taxas de juros

Ano 2 - Edição 19

por Nicola Tingas, Consultor Econômico

 

Bancos Centrais sinalizam queda nas taxas de juros |BACEN aponta ambiente para corte de juros, em caso de reforma da Previdência | Bolsas de Valores precificam otimismo.

O Congresso Nacional sinalizou que aprovará a reforma da Previdência entre julho e agosto. Em complemento, o Copom (Comitê de Política Monetária) indica que se for atendida essa pré-condição, haverá possibilidade de cortar a taxa de juros SELIC. Esse cenário se beneficia da política monetária estimulativa (corte de juros) em países desenvolvidos, que visa evitar maior desaceleração de crescimento global. Essa é uma "janela de oportunidade" em que o Brasil tem de agir rápido e na direção certa para superar a estagnação econômica do 1º semestre de 2019.
Se houver andamento favorável da agenda econômica interna, ocorrerá a melhora das expectativas, beneficiando a economia no 2º semestre.

O Ibovespa e as bolsas americanas têm tido altas na expectativa de melhor crescimento, menor risco e maior circulação dos fluxos de capital global - valorizando moedas emergentes como o Real e ativos de risco. Contudo, apesar desse otimismo ser contagiante, ainda há riscos internacionais e locais a monitorar. 

 

1. O Banco Mundial (WB) alertou que há uma importante perda de ritmo de crescimento da economia mundial.

As projeções são de que o PIB global desacelere para 2,6% em 2019. Uma significativa contração sobre o PIB de 3% de 2018. Para 2020, estima-se 2,7%. Para o WB, os principais fatores que condicionam esse quadro são: "queda da confiança empresarial, maior desaceleração no comércio global e investimentos fracos em economias emergentes e em desenvolvimento". De acordo com o presidente do WB, "O momento continua frágil". Por sua vez, o FMI (Fundo Monetário Internacional) alertou que a guerra comercial entre EUA e China pode reduzir o PIB global em 0,5%, em 2020. Na China, a produção industrial e o investimento caíram em junho para o menor nível em 20 anos. Na Europa, há uma persistente recessão industrial. A economia americana está próxima do pleno emprego, com a menor taxa de desocupação (3,6%) em pelo menos quatro décadas, e altos índices de confiança. Mesmo assim, a inflação permanece abaixo de 2%. Esse aspecto predomina em regiões globais impulsionando Bancos Centrais a intervir.

 

2. Bancos Centrais globais indicam momento para políticas monetárias estimulativas e corte de juros.

Em 19 de junho, o FOMC (Federal Open Market Committee, ou Comitê Federal de Mercado Aberto) do Federal Reserve (FED-USA) manteve as taxas de juros em 2,25% a 2,50%, mas seu presidente, Jerome Powell, admitiu que nas próximas reuniões há tendência de corte de juros. Para os membros do FOMC, a inflação medida pelos gastos pessoais de consumo e projeções dos membros recuou na mediana de 1,8% para 1%. Portanto, o FED (Federal Reserve System, ou Sistema de Reserva Federal dos EUA) está longe de cumprir sua meta de 2%, e os juros serão cortados. A manifestação do FED provocou forte fechamento no rendimento dos títulos do Tesouro americano de 10 anos, que caíram abaixo de 2%, menor nível desde 2016. Vide gráfico Financial Times (Bloomberg).

As bolsas americanas e mundiais reagiram com otimismo. No dia anterior, 18 de junho, o Banco Central Europeu, presidido por Mario Draghi, também indicou afrouxamento monetário, seja por corte de juros ou por reabertura do programa de compra de bônus, feito em 2012 na crise do Euro e da Grécia, que resultou em aumento do balanço do BCE de 2,6 trilhões de Euros. Também há sinais que virá afrouxamento monetário pelo Japão, China e outros.

 

3. Copom também sinaliza que as condições de atividade fraca e inflação projetada abaixo da meta em 2019 e 2020 indicam corte de juros, mas o BACEN subordina tal movimento ao avanço efetivo da reforma da Previdência.

Seguem trechos do comunicado (publicado em 19/06/2019) que decide manter a taxa básica de juros (SELIC) inalterada e sinaliza redução futura:

"Indicadores recentes da atividade econômica indicam interrupção do processo de recuperação da economia brasileira nos últimos trimestres. O cenário do Copom contempla retomada desse processo adiante, de maneira gradual. [...]O cenário externo mostra-se menos adverso, em decorrência das mudanças nas perspectivas para a política monetária nas principais economias. Entretanto, os riscos associados a uma desaceleração da economia global permanecem.

As expectativas de inflação para 2019, 2020 e 2021 apuradas pela pesquisa Focus, encontram-se em torno de 3,8%, 4,0% e 3,75%, respectivamente. [...]No cenário com trajetórias para as taxas de juros e câmbio extraídas da pesquisa Focus, as projeções do Copom situam-se em torno de 3,6% para 2019 e 3,9% para 2020. Esse cenário supõe trajetória de juros que encerra 2019 em 5,75% a.a. e se eleva a 6,50% a.a. em 2020. Também supõe trajetória para a taxa de câmbio que termina 2019 e 2020 em R$/US$ 3,80. No cenário com juros constantes a 6,50% a.a. e taxa de câmbio constante a R$/US$ 3,85*, as projeções situam-se em torno de 3,6% para 2019 e 3,7% para 2020.

O Comitê ressalta que, em seu cenário básico para a inflação, permanecem fatores de risco em ambas as direções. Por um lado, (i) o nível de ociosidade elevado pode continuar produzindo trajetória prospectiva abaixo do esperado. Por outro lado, (ii) uma eventual frustração das expectativas sobre a continuidade das reformas e ajustes necessários na economia brasileira pode afetar prêmios de risco e elevar a trajetória da inflação no horizonte relevante para a política monetária. 
O risco (ii) se intensifica no caso de (iii) deterioração do cenário externo para economias emergentes. O Comitê avalia que o balanço de riscos para a inflação evoluiu de maneira favorável, mas entende que, neste momento, o risco (ii) é preponderante.

O Copom reitera que a conjuntura econômica prescreve política monetária estimulativa, ou seja, com taxas de juros abaixo da taxa estrutural. O Comitê julga importante observar o comportamento da economia brasileira ao longo do tempo, com redução do grau de incerteza a que continua exposta.

O Comitê enfatiza que a continuidade do processo de reformas e ajustes necessários na economia brasileira é essencial para a queda da taxa de juros estrutural e para a recuperação sustentável da economia. O Comitê ressalta ainda que a percepção de continuidade da agenda de reformas afeta as expectativas e projeções macroeconômicas correntes. Em particular, o Comitê julga que avanços concretos nessa agenda são fundamentais para consolidação do cenário benigno para a inflação prospectiva."

Com isso, as projeções de cenário do Copom já indicam atividade débil e inflação abaixo da meta ou próximo dessa em 2020. Há espaço efetivo pelo modelo de metas, cumprida a ressalva da agenda de reformas, para um corte de juros entre 0,5% e 1,0%. Com a Selic recuando do atual patamar de 6,5% para 6,0% ou 5,50%. Mas há hipóteses no mercado financeiro de um corte mais intenso que isso. Na prática, devemos aguardar a Ata do Copom, o Relatório de Inflação e a reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN) que dará melhores pistas sobre a estratégia do Copom na gestão do patamar da taxa básica de juros (SELIC).


 

2 - Indicadores financeiros, Pesquisa Focus (BACEN) e Projeções

B3 (Ibovespa) e R$/USD

 

 

 

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Fonte: Omni Soluções Financeiras

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