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"Esperança" de recuperação com aprovação de reformas e agenda microeconômica

Ano 2 - Edição 18

por Nicola Tingas, Consultor Econômico

 

"Esperança" de recuperação com aprovação de reformas e agenda microeconômica

Como já temos falado aqui nas últimas edições no Momento Econômico, os primeiros meses do governo Bolsonaro foram de incertezas e conflitos entre o Executivo e o Legislativo, além de inserções ruidosas de outros atores políticos. Isso fez com que a realidade se tornasse oposta à expectativa inicial de rápida aprovação da reforma da Previdência e das medidas complementares para a atração de investimento que acelerariam a recuperação econômica. Com isso, foram "frustradas" as expectativas de aceleração do ritmo de recuperação econômica, o que ocasionou perda de confiança e, consequentemente, perda de tração do PIB.

As estimativas iniciais do PIB crescendo 2,5 % em 2019 foram rapidamente reduzidas para algo próximo de 1,1 %, patamar dos anos anteriores de 2017 e 2018. Contribuíram para essa queda: a forte contração nas exportações para a Argentina; o terrível "desastre de Mariana" com perdas de vidas humanas e seu efeito no resultado da extração mineral; o ambiente político conturbado; e os riscos internacionais (juros americanos, guerra comercial USA x China e PIB global).

No 1º trimestre de 2019, o produto interno bruto encolheu 0,2 % sobre o quatro trimestre de 2018. Em comparação na "métrica tradicional" do PIB - quatro trimestres, em relação aos quatro trimestres anteriores - a expansão foi de apenas 0,9 %. Dois importantes componentes do PIB - Investimentos FBCF (formação bruta de capital fixo) e o Consumo das Famílias (compõe 64% do "PIB demanda") - indicam desaceleração (vide gráfico).

No 2º trimestre, os indicadores antecedentes indicam a continuidade do fraco desempenho. Para o 2º semestre, a possibilidade de atenuar essa trajetória depende de incentivos econômicos e da melhora de expectativas. De qualquer modo, o PIB 2019 já está comprometido. As projeções no mercado oscilam entre 1,2 % e 0,8 %; ou menor, sem estímulos ou confiança.

Taxa (%) acumulada quatro trimestres sobre o mesmo período anterior.

Nesse ambiente, os agentes econômicos passaram a ter mais cautela. Contudo, mantém "esperança" de melhoria do clima político e econômico - como indica a precificação de ativos financeiros de risco que incorporam um quadro mais favorável no segundo semestre (conforme final do quadro B3 Ibovespa e taxa de câmbio, abaixo).

O Congresso sinaliza "agenda própria" para aprovar a reforma da Previdência e deu início ao trâmite de reforma tributária existente na "casa"; antecipando-se à equivalente futura proposta do governo.
Embora esse ativismo crie polarização com o Executivo, há receptividade pelo mercado financeiro por significar avanço na agenda de resgate fiscal e melhor cenário de negócios. Por sua vez, a equipe econômica irá anunciar medidas para dar liquidez para as famílias (liberação do PIS/PASEP e FGTS), ampliar a oferta de crédito com maior concorrência, buscando ampliar liquidez para estimular a recuperação do ciclo econômico de forma pontual, enquanto não ocorre a capacidade de atrair grandes investimentos externos para criar uma trajetória de expansão.

 

2 - Indicadores financeiros, Pesquisa Focus (BACEN) e Projeções

B3 (Ibovespa) e R$/USD

 

 

 

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Fonte: Omni Soluções Financeiras

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