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Ratings de crédito de emissor ‘brA’ atribuídos à Omni Banco S.A. e à Omni Financiamento

- Os ratings da Omni Banco S.A. e da Omni S/A Crédito Financiamento e Investimento (aqui denominadas conjuntamente “Omni”) refletem seu forte desempenho histórico na originação de financiamentos de veículos usados para clientes das classes C e D, o principal segmento de atuação da empresa, o que tem contribuído para a lucratividade expressiva do grupo ao longo dos últimos anos. Além disso, esperamos que a Omni continue a manter níveis de capitalização adequados e liquidez em linha com as expectativas de uso de caixa.

- Por outro lado, os ratings também refletem o pequeno porte da empresa, a concentração de suas atividades no volátil segmento de financiamento de veículos usados, a elevada inadimplência da carteira de crédito da entidade, intrínseca ao seu negócio, e a relevante dependência dos seus distribuidores para obtenção de funding (captação de recursos)

- Em 10 de setembro de 2019, atribuímos os ratings de crédito de emissor de longo prazo  ‘brA’ na Escala Nacional Brasil à Omni Banco S.A. a à Omni Financiamento. A perspectiva dos ratings é estável.

Ação de Rating

São Paulo (S&P Global Ratings), 10 de setembro de 2019 A S&P Global Ratings atribuiu hoje em sua Escala Nacional Brasil os rating de crédito de emissor de longo prazo ‘brA’ à Omni Banco S.A. e à Omni S/A Crédito Financiamento e Investimento A perspectiva dos ratings é estável.

Perfil

A Omni Banco S.A. (Omni Banco) é uma subsidiária integral da Omni S/A Crédito Financiamento e Investimento (Omni Financiamento), instituição financeira não bancária fundada em 1994. Essas duas entidades atuam juntas principalmente no segmento de financiamento de veículos usados para clientes das classes C e D. Inicialmente, a Omni concentrava suas atividades exclusivamente na concessão de financiamentos de veículos. Contudo, ao longo dos anos, o grupo foi diversificando suas atividades, adentrando em novos ativos como financiamentos de vendas de varejo de móveis e utensílios domésticos e recebíveis de cartão de crédito. Ainda assim, em 2019, o segmento de financiamento de veículos usados ainda era a carteira mais representativa da Omni, perfazendo cerca de 80% de sua carteira consolidada de crédito.

Análise de Grupo

Nossa análise considera a entidade consolidada, que combina a Omni Financiamento (controladora) com a Omni Banco (subsidiária) – em conjunto “Omni”-  , dado o nosso entendimento sobre a alta integração de ambas as entidades para o grupo. Em 2017, a Omni Financiamento adquiriu o Banco Pecúnia S.A., o qual foi posteriormente renomeado para Omni Banco S.A. O banco passou a ter importância estratégica ao grupo, uma vez que, como emissor de certificados de depósito bancário (CDBs), passou a prover a principal fonte de funding ao grupo. Dessa forma, consideramos as duas entidades como core para o grupo Omni.

Fundamentos 

Os ratings da Omni refletem sua concentração de receitas no segmento de financiamento de veículos usados, o qual acreditamos ser um negócio que gera volatilidade, ainda que a empresa possua expertise e histórico robusto de atuação nesse nicho. A Omni tem mantido suas métricas de capital em linha com a média da indústria, com um índice de capital ajustado pelo risco (RAC - risk-adjusted capital) na faixa de 6,0%-6,5%, o que, em nossa opinião, se manterá ao longo dos próximos dois anos. Os altos índices de inadimplência da carteira de crédito da empresa são inerentes ao seu segmento de negócios e parcialmente compensados tanto por seus elevados spreads, já que o financiador tem o veículo como garantia de seus contratos, quanto por sua forte capacidade de recuperação. A Omni também mantém uma política de liquidez adequada e alinhada às expectativas de uso de caixa. Por outro lado, seu funding é inferior ao da média da indústria porque a empresa possui uma grande dependência dos seus distribuidores. 

O ponto de partida para atribuirmos um rating de crédito de emissor a uma instituição financeira consiste nas classificações de risco econômico e de risco da indústria bancária da nossa Avaliação do Risco da Indústria Bancária (BICRA - Banking Industry Country Risk Assessment) de um país para determinar a âncora de um banco. Nossa âncora para bancos comerciais que operam somente no Brasil é ‘bb+’, com base na classificação ‘7’ de risco econômico do país e na ‘5’ de risco da indústria.

Em nossa opinião, os baixos níveis de renda no Brasil e a posição fiscal fraca do governo restringem a resiliência econômica do país. Projetamos que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro crescerá 1% em 2019, o que implica um crescimento modesto similar ao dos últimos dois anos. A volatilidade política associada ao processo de aprovação da Reforma da Previdência tem retardado os investimentos, e a recuperação nos gastos das famílias tem sido branda, já que as dinâmicas do mercado de trabalho permanecem fracas. Presumimos que a Reforma da Previdência será aprovada mais para o final deste ano, o que sustenta nossa projeção de um crescimento do PIB real brasileiro de 2,2% para 2020. Esperamos que a atividade de crédito cresça entre 6%-8% em 2019, após uma expansão modesta de 0,5% em 2017 e o recuo de 3,5% em 2016. As corporações continuam se desalavancando e a capacidade excedente delas têm reprimido a demanda por crédito. Os empréstimos problemáticos (NPLs - nonperforming loans) em relação aos empréstimos totais caíram para 3,0% em março de 2019, quando comparados ao pico de 3,5% atingido em 2017, e esperamos que essa tendência continue até a métrica atingir cerca de 2,5%-2,7% em 2019 e 2020.

Nossa avaliação do risco da indústria para o Brasil reflete a regulação financeira bem desenvolvida do país que é bastante alinhada aos padrões internacionais, e o bom histórico do regulador local, que tem ajudado o sistema financeiro a enfrentar as desacelerações econômicas. Além disso, o sistema bancário brasileiro tem um mix de funding adequado, com uma base de depósitos de clientes ampla e estável, além de acesso satisfatório aos mercados de capitais nacional e internacional, e baixa dependência do funding externo. Esses pontos fortes são contrabalançados pela forte presença de bancos públicos no sistema que cria distorções. Acreditamos que o novo governo, em linha com o anterior, está implementando medidas para reduzir a importância relativa dessas entidades públicas ao longo do tempo.

Em nossa visão, a Omni apresenta uma posição de negócios mais fraca do que aquela indicada pelo risco da indústria bancária. Esse nosso entendimento indica a concentração de receitas do grupo no segmento de financiamento de veículos usados, o qual acreditamos ser um negócio que gera volatilidade nas receitas, ainda que a Omni possua expertise e histórico robusto de atuação nesse nicho. Por outro lado, a empresa passou a adquirir carteiras de empréstimos problemáticos a partir de 2015, aproveitando sua expertise e capacidade ociosa à época. A recuperação das carteiras adquiridas proporcionou maior estabilidade nas receitas durante um período de menor originação de financiamentos de veículos.

Em dezembro de 2018, o grupo contava com uma carteira de ativos de R$ 2,8 bilhões, o que representava 0,03% do total de ativos do mercado bancário doméstico, e uma carteira de crédito de cerca de R$ 2 bilhões, já líquida de provisões para devedores duvidosos, composta de: 

- Veículos leves: 53% 

- Veículos pesados: 15% 

- Motos: 13% 

- Cartões de crédito: 10% 

- CDC Loja:7% 

- Outros: 2%

A maior parte dos devedores da carteira de crédito da Omini se localizava na região sudeste do Brasil, que perfazia 66% do portfólio. A região sul, com 23%, era a segunda região mais representativa, seguida pelo nordeste, com 6%, e as regiões norte e centro-oeste, conjuntamente com 5%.

O grupo espera manter o foco do negócio na originação de financiamentos de veículos, com um crescimento esperado de cerca de 15% ao ano em sua carteira de crédito. A Omni também almeja um aumento razoável em sua carteira de recebíveis de cartões de crédito, embora esse negócio ainda represente atividade secundária ao grupo. Outros negócios poderão continuar a ser explorados em menor grau para promover diversificação de receitas, como leasing de veículos e microcrédito, ou para complementar as receitas em períodos de maior capacidade ociosa, como a aquisição de carteiras de créditos vencidos.

A etapa seguinte em nossa análise consiste na avaliação de capital e rentabilidade da Omni. Esperamos que a empresa apresente um índice de RAC entre 6,0%-6,5% nos próximos dois anos. Além disso, o grupo tem historicamente operado confortavelmente acima do índice mínimo de capital requerido pela regulação, encerrando 2018 com um índice regulatório equivalente a 13,2%, enquanto a exigência regulatória mínima é de 10,5%.

Para avaliar a capitalização de bancos e financeiras, aplicamos nossa metodologia de capital ajustado pelo risco (RACF - risk-adjusted capital framework) globalmente, independentemente das regulações regionais e dos indicadores de risco internos dos bancos. Nosso RAC compara nossa definição de capital ajustado total (TAC - total adjusted capital) com nossos ativos ponderados pelo risco (RWA - riskweighted assets), refletindo uma métrica de risco que é globalmente mais comparável do que os índices regulatórios. A principal diferença entre nossa metodologia e a regulação local é que aplicamos ponderadores às exposições a títulos soberanos, com base nos ratings que atribuímos ao país, o que é muito punitivo para os bancos que operam no Brasil, que normalmente têm alta exposição a esses títulos. 

Nossas premissas de caso-base para os próximos dois anos na avaliação de capital e rentabilidade incluem os seguintes fatores: 

- Crescimento de 1,0% do PIB real brasileiro em 2019 e de 2,2% em 2020;

- Aumento da carteira de crédito da Omni de 15% ao ano, em linha com a expansão apresentada nos últimos anos e com a projeção da instituição;

- Manutenção tanto das elevadas margens de intermediação financeira líquidas, sustentadas por um reduzido custo de captação, quanto das taxas de juros cobradas nos financiamentos originados;

- Aumento de 15% nas despesas não relacionadas a juros devido aos investimentos em pessoal e tecnologia;

- Pagamento de dividendos de cerca de 50% do lucro líquido em 2019 e 2020 na forma de juros sobre capital próprio;

- Retorno sobre o patrimônio líquido em torno de 20% a 25%;

- Atribuímos elegibilidade de capital integral para a emissão de letra financeira perpétua emitida pela Omni, em montante equivalente a R$ 113 milhões ao final de 2018 (o que representa cerca de um terço do TAC). 

Como parte do processo de análise, consideramos também a posição de riscos da Omni, a qual avaliamos como moderada. A Omni não possui concentrações representativas em devedores dentro de sua carteira de crédito, sendo as dez maiores exposições de crédito equivalentes a 0,1% da carteira. A baixa concentração de devedores reflete a atuação da Omni em um setor de varejo. Por outro lado, a instituição é concentrada em financiamento de veículos usados, que é um segmento cíclico e vulnerável.

Os altos índices de inadimplência da carteira de crédito da Omni são inerentes ao seu segmento de negócios e parcialmente compensados tanto por seus elevados spreads, já que o financiador tem o veículo como garantia de seus contratos, quanto por sua forte capacidade de recuperação. A inadimplência média dos últimos cinco anos atingiu 11,5%, com um pico de 16,2% em 2016, impulsionada principalmente pela maior inadimplência na carteira de veículos pesados. As baixas para prejuízo, por outro lado, têm sido historicamente menores (média de 6,0% nos últimos cinco anos). 

A volatilidade da métrica de qualidade de ativos decorre da maior incerteza sobre o perfil de crédito dos clientes durante ciclos econômicos mais severos e da exposição da carteira de crédito a um segmento mais vulnerável (financiamento ao consumidor para classes mais baixas). Além disso, a Omni possui robusta capacidade de recuperação de créditos inadimplidos. Desde 2015, o banco iniciou um negócio de aquisição de carteiras de créditos vencidos de outras instituições, tendo adquirido, até dezembro de 2018, cerca de R $ 9,5 bilhões em ativos inadimplentes, com uma taxa de recuperação de 12% até então. 

Por fim, nossa avaliação de risco de crédito considerou a qualidade de funding e a liquidez da instituição. Em nossa opinião, o funding da empresa é inferior ao da média da indústria, uma vez que possui uma grande dependência dos seus distribuidores. Os CDBs, que se tornaram a principal fonte de funding da Omni em 2019, são distribuídos a pessoas físicas por meio de plataformas digitais, das quais a XP Investimentos representava a maior parcela. Ao final de 2018, o montante de CDBs emitidos somava cerca de R$ 1 bilhão contra cerca de R$ 150 milhões um ano antes.

Além de serem mais facilmente distribuídos pelas plataformas, os certificados de depósito bancário oferecem fontes mais baratas de funding e, em geral, têm sido emitidos sem possibilidade de resgate antecipado, o que vemos como fator positivo à estrutura de funding da instituição. Por outro lado, ainda acreditamos que as plataformas digitais proporcionam uma fonte de funding menos estável quando comparada à vasta rede de clientes advindos de canais próprios que compõe o funding dos grandes bancos de varejo. Em nossa visão, as plataformas digitais trazem clientes que buscam taxas mais atrativas e que não possuem relacionamento direto com o banco, sendo mais difícil de fidelizar. Ao mesmo tempo, o banco está sujeito às restrições dessas plataformas, que possuem autonomia para incluir ou retirar os emissores, o que também gera menor estabilidade a essa fonte de funding. 

A liquidez da Omni, em nossa visão, é adequada em função da disponibilidade e gestão de recursos em linha com as expectativas de uso de caixa. Os ativos líquidos equivaliam a R$ 334 milhões em dezembro de 2018, suficientes para cobrir o funding de atacado de curto prazo, que era irrisório nessa mesma data. Ao mesmo tempo, o banco possui um plano de contingência de liquidez apropriado, que inclui monitoramento diário dos recursos e usos projetados para os próximos 63 dias úteis e para os próximos 12 meses, além de testes de estresse. 

Perspectiva 

A perspectiva estável dos ratings reflete nossa visão de que não esperamos que os ratings da Omni mudem nos próximos 12 meses. Nossa expectativa é que o Conglomerado Prudencial Omni mantenha seu bom desempenho operacional e continue a expandir sua participação no segmento de financiamento de veículos usados. Além disso, esperamos que a entidade seja capaz de manter um spread alto e bons níveis de recuperação de crédito, que mitiguem os riscos inerentes aos seus negócios refletidos em altas taxas de inadimplência.

Cenário de rebaixamento
Poderemos rebaixar os ratings se houver uma diminuição nas perspectivas de negócios da Omni ou se a entidade não conseguir gerar fluxo estável de receitas operacionais e houver uma deterioração em seu desempenho financeiro. Ademais, poderemos rebaixá-los se os níveis de capital da Omni se enfraquecerem acima do previsto, devido a um crescimento superior ao projetado dos ativos ou à piora da qualidade de ativos. 

 

Critérios e Artigos Relacionados

Critérios

- Capital híbrido: metodologia e premissas, 1º de julho de 2019

- Critério geral: Metodologia de rating de grupo, 1º de julho de 2019

- Metodologia de ratings de crédito nas escalas nacionais e regionais, 25 de junho de 2018

- Metodologia de estrutura de capital ajustado pelo risco, 20 de julho de 2017

- Métricas Quantitativas para a Avaliação de Bancos Globalmente: Metodologia e Premissas, 17 de julho de 2013

- Metodologia e premissas para avaliação do risco da indústria bancária de um país, 9 de novembro de 2011 

- Bancos: Metodologia e Premissas de Rating, 9 de novembro de 2011

- Uso de CreditWatch e Perspectivas, 14 de setembro de 2009

Artigo

- Avaliação do Risco da Indústria Bancária (BICRA): Brasil, 28 de março de 2019

 

 

Fonte: https://www.standardandpoors.com

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